O futuro agrícola do planeta repousa no “Cofre do Juízo Final”

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A preservação da biodiversidade agrícola ou mesmo do futuro da vida na Terra passa por uma das zonas mais inóspitas do planeta, o círculo polar Ártico.

No meio da imensidão do deserto branco, junto ao Polo Norte, ergue-se uma estrutura de betão: a entrada para o banco de sementes onde se conservam as chaves-genéticas essenciais para a sobrevivência da humanidade.

Depois de atravessarmos uma galeria de túneis, encontramos um cofre no interior da montanha, a 130 metros acima do nível do mar. Um cofre concebido para resistir a explosões, a alterações climáticas extremas e perdurar pelo menos dois séculos.

As sementes estão armazenadas numa câmara refrigerada a uma temperatura constante de -18°C. No caso de um corte de corrente elétrica, a temperatura levaria décadas a subir para os 0°C devido ao pergelissolo.

O “Svalbard Global Seed Vault” é uma espécie de catálogo da vida terrena.

Este espaço ganhou a alcunha de “Cofre do Juízo Final” uma vez que tem como objetivo preservar a biodiversidade agrícola no caso de uma catástrofe dantesca. Foi o que aconteceu em 2015 quando foram recuperadas sementes da Síria depois do banco em Alepo ter encerrado devido aos combates na cidade.

A ICARDA, uma organização que tenta melhorar a agricultura em zonas seca, levantou sementes para emular o banco de Alepo e, em fevereiro deste ano, voltou a depositar 15 mil amostras como salvaguarda da salvaguarda.

A estrutura de Svalbard, na Noruega, foi criada para situações como esta e assegurar que a riqueza natural do nosso planeta não esmorece perante a loucura dos homens.