Bolsonaro fala em entregar Brasil 'muito melhor do que encontrei' em '2022 ou 2026'

Bolsonaro fala em entregar Brasil ‘muito melhor do que encontrei’ em ‘2022 ou 2026’

Presidente, que durante a campanha disse que iria acabar com a reeleição, mudou o discurso e tem indicado que pretende ficar no cargo para além de 2022.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta terça-feira (6), em evento num centro de exposições na Zona Sul de São Paulo, que vai entregar um Brasil “muito melhor” em “2022 ou 2026”.

O presidente, que durante a campanha disse que iria acabar com a reeleição, mudou o discurso em junho, quando admitiu disputar um novo mandato. E, em um evento em Goiás no final de julho, cogitou estar no cargo em “2024, 2025”.

“Temos tudo para ser uma grande nação. Tenho certeza que em 2022, ou 26, entregarei o Brasil, dada a confiança que eu tenho de grande parte da população, muito melhor do que encontrei”, afirmou em discurso na abertura do 29º Congresso ExpoFenabrave, no Transamerica Expo Center, nesta terça.

Legislação ambiental

Durante discurso, o presidente disse que estuda transferir as legislações ambiental e de armas aos estados.

“Pretendo, e estamos estudando uma coisa, que eu acho que é maravilhosa, o Congresso vai decidir, passar muitas atribuições do Estado, Estado Brasil, para os estados, por exemplo na questão do desarmamento. A questão [ministro do Meio Ambiente Ricardo] Salles, que talvez você vai concordar, de licenças ambientais. O que é que nós, de São Paulo, temos a ver com a questão ambiental de Roraima?”, disse.

“Se eu fosse rei de Roraima –atenção, imprensa, não quero ser rei– mas se eu fosse rei de Roraima, com tecnologia, em 20 anos teria uma tecnologia próxima à do Japão. Lá tem tudo. Por isso que 60% do território está inviabilizado com territórios indígenas e outras questões ambientais. Temos tudo para desenvolver a Amazônia”, acrescentou.

O presidente afirmou que dados de desmatamento apontaram que ele desmatou 88% da Amazônia, numa referência a números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que apontaram que o desmatamento no bioma cresceu 88% em 2018 na comparação com o mesmo mês de 2017.

“Isso é uma péssima propaganda do Brasil lá fora. Quando se fala que nós estamos desmatando, com dados imprecisos divulgados, e quando um número absurdo como aquele, de que eu já desmatei mais de 88% da Amazônia, eu sou o capitão motosserra, irmão do general, divulgar isso é péssimo para a gente”, afirmou Bolsonaro.

A insatisfação do presidente com os números levou à queda do diretor do instituto, Ricardo Galvão, que será substituído interinamente pelo oficial da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião.

Na segunda-feira (5), Bolsonaro afirmou que “maus brasileiros” fazem campanha com “números mentirosos contra a nossa Amazônia”.

O governo de Jair Bolsonaro vem recebendo críticas de ambientalistas, cientistas, autoridades estrangeiras e da imprensa estrangeira pelas medidas que têm tomado em relação ao meio ambiente e pelos riscos que pode estar gerando para a preservação da Amazônia.

Além de questionar dados sobre o aumento do desmatamento na Amazônia divulgados pelo Inpe em julho, Bolsonaro tem defendido tornar garimpos legais e já tentou transferir para o Ministério da Agricultura a competência da demarcação de terras indígenas. Só neste ano, o governo federal liberou o registro de um total de 262 de agrotóxicos.

Correios

Sem detalhar, Bolsonaro afirmou que “vai privatizar os Correios”. Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse durante palestra que, após a venda da BR Distribuidora, a privatização dos Correios era a prioridade do governo.

Filho na embaixada

O presidente voltou a defender que Eduardo Bolsonaro, seu filho, seja nomeado embaixador do Brasil nos Estados Unidos. “Essas críticas não procedem. Até disse ontem: estão zombando de mim. Se não for ele, que é meu filho, vai ser filho de alguém. Todo mundo é filho de alguém. Até filho da imprensa a gente é de vez em quando”, disse.

“Ontem a imprensa perguntou para mim se o meu filho teria coragem de dizer ‘não’ caso fosse embaixador nos Estados Unidos. Eu falei: pior são os governos anteriores, que diziam sim à Venezuela e Cuba o tempo todo”, afirmou. “Eu disse para a imprensa também que, além de fritar hambúrguer, meu filho também entregou pizza nos EUA. E esteve lá por seis meses porque pediu para mim para ir pra lá, para aperfeiçoar o inglês.”

Ele disse, ainda, que o filho tem a simpatia da família do presidente americano, Donald Trump. “Fala inglês, espanhol, é advogado. Apesar de eu ser contra o exame da Ordem [dos Advogados do Brasil], desculpe, ele passou no exame. Passou no concurso da PF. Está no segundo mandato de deputado federal, goza de viabilidade e simpatia da família de Trump. Alguém tem melhor do que isso como cartão de visita pra nós?”

O nome de Eduardo Bolsonaro precisa passar por aprovação prévia no Senado Federal. Entenda as regras para indicação de embaixadores.

Pontos na CNH

O presidente voltou a citar o projeto que propõe aumentar para 40 o número de pontos necessários para suspender a carteira nacional de habilitação (CNH).

“O motorista profissional fica sem a carteira de motorista e a de trabalho”, disse. Ele afirmou que pretende também “acabar com o simulador”. “No meu tempo não tinha videogame. Eu comecei com o Atari. Por que o simulador? Menos R$ 300 na vida dos mais pobres.”

Para que as mudanças entrem em vigor, o projeto precisará ser discutido no âmbito das comissões e, depois de aprovado, apreciado pelo plenário da Câmara e do Senado.

O projeto do governo também prevê a ampliação da validade da habilitação, de cinco para dez anos. A habilitação dos idosos também terá validade ampliada de dois e meio para cinco anos.

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